Palestra sobre nutrição junta doentes no HCM

Pela primeira vez na história do Hospital Central de Maputo, pacientes e seus familiares passam a juntar-se à equipa médica ligada à nutrição como forma de aprofundar conhecimentos de nutrição capazes de melhorar a sua qualidade de vida.

Avone Pedro, nutricionista do HCM, explica que a ideia surge da necessidade de abarcar mais indivíduos, pois nas consultas revelou-se impossível abordar com detalhe necessário os aspectos relativos às boas práticas alimentares que são fundamentais para a saúde.

São em média mensal 36 pacientes que aderem às consultas de nutrição por várias razões. Nas palestras, os doentes ambulatórios e seus familiares têm também espaço para apresentar suas dúvidas, experiência e desafios no campo nutricional.

Aderem às consultas de nutrição, pacientes referidos de outros serviços tais como a ortopedia, ginecologia, cardiologia e outras. “A ginecologia por exemplo, manda-nos seus doentes com elevado peso para ajudarmos a perdê-lo para enfrentar uma cirurgia. Da ortopedia, recebemos pacientes com problemas de articulações que não combinam com o peso elevado, assim como recebemos doentes obesos como problemas cardiovasculares também para a correcção por via da alimentação”, explicou Avone Pedro, a única nutricionista que presta consultas no HCM.

As palestras sobre a nutrição passam a ser regulares com uma periodicidade mensal, em cada terceira semana do mês. Estão abertas não só para os pacientes como também seus familiares e outros interessados em melhorar a qualidade de vida com base em bons hábitos alimentares.

Avone Pedro depreciou a ideia segundo a qual, somente alimentos caros é que são importantes e necessários para uma boa dieta alimentar e consequentemente, uma boa saúde.

“Quando comemos os vegetais como simples folhas da mandioca, de feijão, saladas, frutas como a papaia, a massala, laranja, o feijão e de forma regrada estaremos a investir para uma boa saúde sem que tenha sido necessário muito dinheiro. Comer muita carne não significa comer bem”, exemplifica.  

ENCURTAMOS NOSSAS VIDAS POR FALTA DE INFORMAÇÃO

Alguns pacientes que se faziam a palestras lamentaram o facto de muitas doenças estarem a apoquentar e matar, tudo por falta de informação.

“Acredito que a falta de conhecimento muitas vezes tem concorrido para a ocorrência de doenças evitáveis e que não necessitariam de intervenção médica. Encurtamos as nossas vidas por falta de informação”, disse Estêvão Simango.

Entre os participantes ficou assente a ideia de replicar a iniciativa a outras pessoas e noutros lugares porque o défice de informação é uma realidade.

Entre as más práticas que passaram a fazer parte dos hábitos alimentares na nossa sociedade, focou-se o consumo exagerado do caldo, um produto que passou a fazer parte em quase todos os pratos.

Desencorajou-se o consumo deste produto não só em comidas feitas como também nas sem cozedura como saladas por exemplo, o que é extremamente prejudicial à saúde. “A base dos caldos é o sódio que se vai acrescer ao sal que compõe outros alimentos”, disse.

O plástico, muitas vezes usado na cozedura de alimentos é outra fonte de acumulação de toxinas que a longo prazo poderão concorrer para a existência de doenças crónicas.

Dominaram a palestra de ontem, aspectos relacionados com a diabete, tendo sido agendada para a próxima sessão a obesidade.